Cura

A Cura de Tabaco Burley

Curar tabaco é mais do que a secagem das folhas. A cura se refere às inúmeras transformações químicas e físicas que ocorrem nas folhas de tabaco, após a colheita. O ambiente em que ocorre essa cura é que determina a natureza destas transformações e tem um impacto substancial na qualidade e no preço recebido pelo tabaco curado. O ambiente de cura se refere principalmente à temperatura, umidade relativa, e a troca de ar ou ventilação.
O ambiente ideal para a cura do tabaco burley requer temperaturas que ficam entre 18°C e 32°C, e uma umidade relativa do ar na média de 65 a 70%.

Na maioria das safras, a chave para o sucesso da cura é manter essa umidade relativa desejada na estrutura de cura, com ventilação suficiente para prevenir condições de ar estagnado. Em muitas safras, as condições naturais proporcionam condições aceitáveis, sem muita necessidade de gerenciamento ou manejo. Mas, em condições atípicas, como períodos secos ou chuvosos, a habilidade em controlar a umidade dentro do galpão ou da estrutura de cura é crítica para produzir burley de alta qualidade.
O controle da ventilação é o principal meio de manejar o ambiente de cura. O ar estagnado e úmido contribui mais para o escaldamento (tabaco ardido) ou podridão de galpão do que o ar fresco, circulante e úmido. No outro extremo, níveis de umidade relativa do ar excessivamente baixos podem resultar em uma rápida secagem das folhas, causando coloração e características de fumaça indesejadas. Além disso, pesquisas recentes da química das folhas sugere que condições de cura com alta umidade aumentam o conteúdo de nitrosaminas (TSNAs) em folhas curadas de burley.

Fases da cura:

A cura é uma continuação do processo de amadurecimento, que envolve principalmente transformação de nutrientes e redução de umidade. O processo de cura pode ser descrito em 3 fases:

A primeira é a fase de amarelamento. Durante esta fase a coloração da folha muda lentamente de tons verdes para amarelos, enquanto as nervuras permanecem verdes. A fase de amarelamento geralmente dura de uma a três semanas, dependendo da maturidade do tabaco, das condições climáticas, espaçamento entre tacos ou plantas dentro do galpão, da realização do pré-murchamento de lavoura ou não, e do tipo de estrutura de cura usada.

Se o processo de amarelamento ocorre muito rápido (como resultado de períodos extensos de baixa umidade relativa, especialmente se acompanhada de excesso de ventilação), será fixada uma indesejada coloração da folha. Esta geralmente é uma coloração clara, variegada e manchada (geralmente chamada de tabaco K) se as temperaturas são altas e cor verde, se as temperaturas forem baixas. Se a fase de amarelamento acontece muito lentamente (devido à alta umidade, especialmente sob condições de ventilação ruim, condições de ar estagnado), o escaldamento ou apodrecimento de galpão podem ocorrer.
O escaldamento pode reduzir o peso e a qualidade da folha curada e causar altos níveis de TSNAs.
 
A segunda fase da cura é a fase de secagem da folha. Durante este período, a lâmina da folha gradualmente muda do amarelo para uma cor escura (marrom, castanho, ou marrom avermelhado).

A terceira e última fase é a fase da secagem do talo. Durante esta fase, o talo murcha e perde a maior parte de sua umidade.  Uma vez que as nervuras principais estiverem secas, o processo de cura estará completo e a despenca poderá iniciar. O processo de cura inicia gradualmente das folhas baixeiras para as folhas ponteiras e por isso ocorre uma sobreposição das três fases da cura, das folhas baixeiras para as ponteiras da planta.

Em condições normais a cura dura em torno de quatro a oito semanas.

Manejo do ambiente de cura:

A habilidade em manejar a umidade e a circulação de ar dentro do galpão ou da estrutura de cura é crítica para produzir tabaco burley de alta qualidade física e química, em anos de condições climáticas desfavoráveis.

Controle de ventilação:

Independente do tipo de galpão ou estrutura de cura, o controle da ventilação é o meio básico (essencial) de manejar o ambiente de cura. O controle do movimento do ar afeta a temperatura e umidade, controlando a cura. Em galpões convencionais, como regra geral, ventiladores e portas normalmente deveriam ser abertos durante o dia e fechados no final da tarde ou início de noite. No entanto, se o tabaco está curando de forma muito rápida devido ao clima seco (umidade relativa do ar abaixo de 65%), o galpão deveria ser fechado durante o dia e aberto durante a noite. Por outro lado, se o tabaco está curando muito lentamente devido a altos níveis de umidade (umidade excessiva, períodos chuvosos prolongados), o galpão deve ficar aberto para permitir a ventilação. Ar úmido estagnado é um problema maior que ar úmido circulante (em movimento). Em alguns casos extremos, ventiladores artificiais e o suplemento de calor são necessários para prevenir escaldamento ou apodrecimento de galpão.
A densidade de carregamento, a orientação de acordo com os ventos predominantes, ventiladores e outras aberturas na estrutura do galpão, bem como o tamanho do mesmo, afetam o movimento do ar. O ar se move através do tabaco, a umidade evapora e com isso o tabaco é resfriado. Ao mesmo tempo a ventilação aumenta a cura.
Para maximizar o potencial de ventilação, pelo menos 30% da superfície lateral dos galpões deverá estar aberta ou permitir a abertura para a ventilação. Em estruturas de campo a ventilação será realizada através do manejo das cortinas laterais.

Baixas temperaturas e circulação de ar:

Em épocas normais de plantio, as baixas temperaturas não são problema na cura do tabaco burley. Mesmo assim, seguem algumas dicas e considerações sobre a cura com baixas temperaturas e formas artificiais de manejar as condições ambientais.

Baixa temperatura reduz a umidade relativa do ar sem afetar adversamente a coloração da folha. Excesso de calor pode baixar a umidade relativa demasiadamente, resultando numa secagem rápida e de coloração indesejável. Calor suplementar em galpões de burley deveria ser gerado por aquecedores que produzam ar quente (os que queimam propano, GLP, gás natural, etc.), mas nunca por fogo direto (queima aberta) que possa produzir fumaça e assim defumar o tabaco.
A fumaça proveniente da fonte de calor ou aquecimento deverá ser liberada fora do galpão de cura. Mesmo com aquecimento suplementar será requerida uma ventilação para que a umidade possa sair do galpão. Do contrário, será formada condensação que vai contra o objetivo do aquecimento suplementar. Ajuste os aquecedores para que a temperatura no estaleiro mais baixo não ultrapasse os 30°C. Os circuladores de ar são outra forma de controlar umidade dentro da estrutura de cura durante períodos prolongados de chuva ou umidade excessivamente alta. Para ser efetiva, o ar deve se mover e fluir através do tabaco, ao invés de passar ao redor. A colocação adequada de ventiladores e a maneira como o tabaco está disposto ou pendurado no galpão são críticas para a efetividade desta ventilação.

Densidade de carregamento e cortinas laterais:

Em galpões convencionais de burley, o espaçamento entre tacos normalmente tem variado de 15cm a 30cm, dependendo do espaçamento entre estaleiros e do nível de ventilação no galpão. Pesquisas mostram que o tabaco burley pode ser pendurado em maiores densidades em estruturas de cura de perfil baixo (pé-direito baixo) com laterais abertas sem aumentar o risco de escaldamento ou apodrecimento (talo mole). Maiores densidades significam menores custos com galpão por unidade de tabaco curado.
Em estruturas de cura de campo o ambiente de cura é controlado principalmente pela densidade de carregamento (espaçamento entre tacos ou plantas) e pelo manejo da cortina lateral. Nessas estruturas de cura os tacos podem e devem ser menos espaçados entre si, quando comparados com galpões tradicionais. Um espaçamento médio de 9 a 12cm geralmente funciona bem, dependendo do tamanho do tabaco, da intensidade de murchamento das plantas e das condições climáticas que ocorrem. Coberturas de plástico devem ser colocadas sobre as estruturas logo após o carregamento. Mas, se as folhas estão úmidas ou molhadas, permita a secagem das mesmas antes de cobrir a estrutura.

Em geral, as extremidades da estrutura de cura de lavoura deveriam ter uma abertura na parte superior (entre as plantas e a cobertura plástica), para permitir a circulação de ar e assim permitir que o ar úmido possa ser expulso. Com a evaporação da umidade das folhas o ar dentro do galpão satura com umidade. Se essa não for removida do galpão através da circulação do ar essa evaporação paralizará. As coberturas laterais normalmente deveriam estar levantadas ou abertas durante a fase de amarelamento e secagem de folhas e então abaixadas ou fechadas para completar a cura. Uma exceção a essa regra ocorre em períodos prolongados de temperaturas altas e baixa umidade relativa do ar, durando vários dias ou semanas. Sob essas condições, as coberturas laterais deveriam ser baixadas durante o amarelamento e secagem de folhas, para diminuir a velocidade do processo de cura e para minimizar a indesejada coloração variegada e manchada. Uma vez que as coberturas laterais são abaixadas, um monitoramento cuidadoso das plantas e talos é necessário para detectar potenciais condições de escaldamento que requerem a abertura das cortinas. Esse cuidado de manejo é especialmente importante para estruturas de lavoura largas, que possuam três ou mais vãos de largura.

Tipos de Galpão ou estrutura de cura:

O uso de estruturas de pé-direito baixo, com bom manejo de cura, aparenta resultar em tabaco mais escuro e avermelhado do que aquele curado em galpões convencionais. Isso tem sido observado em pesquisas e também por experiências de produtor. A aceitabilidade por parte da indústria tem sido boa para o burley curado nessas estruturas.

Estruturas e galpões de pé-direito baixo, com abertura lateral, são boas para a cura, mas não para armazenar tabaco curado e que ainda não foi despencado. O tabaco deve ser removido (despencado ou amontoado) dessas estruturas cobertas com plástico o mais rápido possível, logo após a cura estar finalizada. A retirada no momento correto vai minimizar danos com o esfarelamento, excesso de umidade da ponta das folhas, e o risco de perdas ou danos ocasionados pelo vento. A luz solar prejudica a coloração das folhas após a cura, por isso o tabaco não deverá ser exposto à luz solar dentro do galpão e nem depois.

As práticas de carregamento e manejo da cura devem ser específicas para cada estrutura de cura e direcionadas para a preservação da produtividade e qualidade, pois cada estrutura e cada safra são diferentes. Cada estrutura é de certa forma única na suas características de cura e precisa ser manejada de forma específica. Estruturas de cura de lavoura geralmente requerem mais manejo, mas também permitem um manejo melhor do ambiente de cura que a maioria dos galpões convencionais.

Uma pergunta freqüente é: “Qual o galpão ou estrutura é melhor?” A resposta é que nenhuma estrutura ou galpão é necessariamente a melhor. O fato de que as estruturas de cura de lavoura cobertas com plástico são as de menor custo, como um grupo em geral, não significa que toda a produção de um produtor deveria ser curada nesse tipo de estrutura. Elas são estruturas precárias para o armazenamento de tabaco curado por longos períodos por causa dos riscos climáticos. Se o produtor não consegue despencar o tabaco de acordo com a sua cura, então uma estrutura com um bom telhado, talvez com proteção lateral parcial ou total, seria mais apropriada que a estrutura de cura de lavoura coberta com plástico para o armazenamento do tabaco ainda não despencado ou curado. Por exemplo, um galpão convencional com cobertura metálica, com cumeeira, de perfil baixo seria uma escolha melhor para ter essa proteção dos fatores climáticos. Um galpão convencional alto, de um ou dois estaleiros, com uma densidade maior do que a normal (para ter algumas das vantagens em termos de mão-de-obra ou custo do sistema de pé-direito baixo) oferece excelente proteção climática para tabaco curado e que vai ser despencado e classificado mais tarde.

Muitos produtores podem concluir que é melhor usar ambas, estruturas de baixo custo que tem mínima proteção climática bem como estruturas que são mais bem construídas, mas que são mais caras para se ter e de operar. Eles podem concluir que esse sistema ofereça maior flexibilidade de mão-de-obra e tempo e ajudar no manejo dos riscos climáticos inerentes à produção de burley.
Em alguns casos, chegar a uma solução intermediária em termos de eficiência de custos para ganhar flexibilidade, melhorar eficiência no tempo e reduzir riscos pode ser justificada como uma excelente estratégia de manejo, para preservar ou até mesmo melhorar o lucro líquido dentro de um ambiente incerto de produção.

Termos e Condições Gerais

ProfiGen do Brasil Ltda - Estrada do Couto Km 03, Santa Cruz do Sul - RS - Brasil
Fone: (51) 3056-1400 Celulares: (51) 98452-3184 ou 98452-3185